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terça-feira, 30 de agosto de 2016

A Doutrina da Eleição - Soteriologia - E.T. - Parte 5

Chegamos a quinta e última parte sobre a Doutrina da Eleição. Certamente este post não tem como finalidade por um ponto final no assunto. Mas, simplesmente embutir no leitor o desejo de estudar e se apresentar “como um obreiro aprovado que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2.15).

Hoje estaremos mostrando as provas tiradas das Escrituras que aprovam a Doutrina Calvinista, como também, algumas objeções a esta doutrina.

Se as Instituições que ensinam a Teologia se propusessem a apresentar as doutrinas, mostrando seus pontos fortes e fracos, creio teríamos mais pensadores cristãos do que meros imitadores robotizados, ensinando nas igrejas. O que consequentemente fariam surgir crentes mais maduros e comprometidos com a verdade.


Bem, vamos iniciar nosso assunto de hoje.

No mês passado vimos que no cerne do pensamento de Calvino, está a Soberania de Deus, como se pode constatar na sua obra As Institutas da Religião Cristã. Portanto, o calvinismo tornou-se o desenvolvimento histórico com base nas Institutas.

Mas, o que nas Escrituras provam a Doutrina Calvinista? Veremos isso por etapas.

Prova 1 – Nas Escrituras encontramos textos que falam de uma eleição feita por Deus. Se aceitarmos que a linguagem das escrituras tem algum sentido, isso deve significar que Deus escolhe o indivíduo para a salvação. Portanto, qualquer doutrina que substitua a escolha de Deus por uma que faça parecer que o homem possa eleger-se a si mesmo, não está de acordo com os ensinos das Escrituras.

Prova 2 – A eleição de Deus envolve todos os antecedentes da salvação do homem, sem as quais o homem jamais poderia fazer qualquer escolha. Nenhum homem jamais teve a oportunidade de escolher onde nascer, quem seriam seus pais, como seria ensinado, se o Evangelho chegaria até seus ouvidos ou se permaneceria ignorante ao seu chamado.

Tudo isso, faz parte do plano de salvação do homem, e depende exclusiva e absolutamente de Deus.

Prova 3 – Se em última análise, a salvação depende dele mesmo e não de Deus, há a possibilidade de que nenhum homem venha ser salvo, e assim Jesus teria sofrido e morrido em vão.

Prova 4 – Se os infantes, os imbecis, os incapazes, os pagãos são realmente salvos, só o podem ser pela eleição direta e soberana de Deus.

Prova 5 – Se a iniciativa da salvação é de Deus; e se a convicção, a persuasão e a habilitação do pecador são obra do Espírito Santo, então é evidente que a eleição é que determina tudo isso.

Prova 6 – A Doutrina é tirada das Escrituras. Textos como Efésios 1.5; Efésios 1.11; 2 Timóteo 1.9; Romanos 1.11,12; Romanos 9.15; Romanos 9.21; Romanos 11.5,6; atestam este fato.

Prova 7 – O arrependimento, a fé, e as obras são o resultado do decreto e não a causa. Conforme os textos: Efésios 1.4; 1 Pedro 1.2; Filipenses 2.13; Efésios 2.8; 2 Tessalonicenses 2.13; Romanos 8.29; Atos 13.48.  

Observando estas provas chegamos a conclusão de que a eleição soberana de Deus é a teoria que oferece maior esperança, do que qualquer outra teoria sobre a eleição. Pois se a escolha se baseia na perversa, rebelde e depravada vontade humana, quão poucos se salvarão.


Vimos algumas provas acerta do Calvinismo. Agora veremos algumas objeções acerca da doutrina e as respostas a essas objeções.

Objeção 1 – É incompatível com o livre-arbítrio. Resposta: O homem que é convencido e persuadido pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo a confessar o seu pecado, e abraçar a salvação é tão livre quanto um homem a quem persuadimos a dar um passeio. E o homem que resisti à chamada de Deus, escolhendo seguir o seu próprio caminho de destruição e perdição não pode se queixar de não se um agente livre. Pois ele mesmo é quem escolheu o seu caminho e o seguiu.

Exemplo disso parece ser o caso de Saulo de Tarso. Deus interveio na sua rebelião e oposição a Deus. Deus o chama e o regenera. Apesar disso Saulo ainda era um agente livre em cada ato de sua vida. Ele era um agente livre em sua rebelião, e foi um agente livre na sua obediência. Mas na sua regeneração ele não foi agente em nada.

Objeção 2 – Apresenta Deus como parcial em sua maneira de tratar os homens. Resposta: Na realidade, Deus não trata a todos no mesmo pé de igualdade. Alguns nascem e vivem em terras pagãs, outros em ambiente cristão. Deus escolheu Israel para ser o seu povo e deixou os demais na ignorância do verdadeiro Deus.

A parábola dos semeadores na vinha mostra que Deus é sobreano na dispensação de seus dons: “Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu?” (Mateus 20.15).

Objeção 3 – É injusta para com os não eleitos – Resposta: A estrita justiça condenaria a todos. Deus não tem obrigação de salvar ninguém. Toda salvação é pura misericórdia; toda condenação é simples justiça.

Para melhor compreensão: Um governador ao perdoar um criminoso na penitenciaria não está obrigado a perdoar a todos. Quando ele perdoa a um, não faz nenhuma injustiça ao resto.

Se os perdidos persistem em seu próprio caminho e alcançam o fim que escolheram, como podem queixar de injustiça?

Existem outras objeções? Certamente. Mas, não vou me deter aqui a escrever. Como eu disse anteriormente. Meu desejo é fomentar no leitor o desejo de buscar, de estudar e não viver essa vida medíocre que vemos hoje nas igrejas. Crentes preocupados com a vida de prosperidade que podem receber ao se filiarem a uma determinada igreja.

“alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lucas 10.20). Essa é a grande alegria de Jesus no Espírito.

O calvinismo nos ensina a ser humildes diante de Deus, gratos por algo que Deus resolveu nos dar mesmo sem merecermos.

Creio que foi de grande valor para você acompanhar esses cinco posts acerca da Eleição. Deus o abençoe.

Até o próximo mês.


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domingo, 28 de agosto de 2016

Confissões de Fé – Parte 8

Sei que o assunto deve parecer chato para alguns e até mesmo fora de moda. Mas é uma forma de manter a pureza da doutrina cristã.

O apóstolo Pedro nos diz para explicar a quem nos perguntar qual a razão da nossa esperança (1 Pedro 3. 15). A nossa confissão dá testemunho de nossa fé. E serve como defesa aos ataques de heresias das quais muitas igrejas tem se deixado dominar, devido a sua vulnerabilidade, por não possuir uma confissão de fé.

Este quadro é para auxiliar tanto a cristãos como os incrédulos a entende aquilo em que cremos. E útil também para corrigir pastores e mestres, caso eles estejam se desviando da fé.

Ajuda ainda a sinalizar aos cristãos a analisarem o que está sendo ensinado nas igrejas, como faziam os bereanos: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo.” – (Atos 17. 11 - NVI).

Portanto é útil como meio de estudo, testemunho da fé, meio de manter a pureza da doutrina e defesa contra os ataques de heresias e outras religiões.


Breve Catecismo de Westminster

PERGUNTA 15: Qual foi o pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados?


RESPOSTA: O pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados foi o comerem do fruto proibido.

Referências: Gn 3.12-13; Os 6.7.

PERGUNTA 16: Caiu todo o gênero humano pela primeira transgressão de Adão?

RESPOSTA: Visto que o pacto foi feito com Adão não só para ele, mas também para sua posteridade, todo gênero humano que dele procede por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão.

Referências: Gn 1.28; At 17.26; 1Co 15.21-22; Rm 5.12-14.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Depressão – A Interação Entre Medicamentos e Alimentação

Este mês, neste espaço destinado a falar sobre a saúde, além de falar dos benefícios de alimentos, como tenho falado anteriormente, quero falar de uma doença muito comum no Brasil e no mundo.

Trata-se da Depressão, que no Brasil atinge cerca de 11 a 12 milhões de pessoas, conforme matéria de Mariana Desidério, de EXAME.com, em 2015.

Segundo sua matéria “No Brasil, 7,6% dos adultos já foram diagnosticados com depressão, o que equivale a 11 milhões de pessoas. Dentre esses brasileiros, mais da metade (52%) usa medicamentos. Os dados são do IBGE.”

“Os estados que mais concentram adultos deprimidos ficam no Sul do país. O Rio Grande do Sul é o primeiro da lista. Lá, 13,2% das pessoas com 18 anos ou mais já foram diagnosticadas por um profissional de saúde. Em seguida vêm Santa Catarina, com 12,9%, e Paraná, com 11,7%.”

“Na outra ponta do ranking estão os estados do Norte. No Pará, último da lista, apenas 1,6% dos adultos receberam diagnóstico da doença. O Amazonas vem em seguida, com 2,7%.”


Muita gente já ouviu falar sobre a depressão, já sabe o que é, apesar de ainda existirem igrejas que não aceitem a depressão como doença. Mas sempre é bom lembrar sobre o tema uma vez que “no Brasil, mortes por depressão cresceu 705% em 16 anos: Os dados mostram que, em 1996, 58 pessoas morreram por uma causa associada à depressão. Em 2012, último dado disponível, foram 467.”

“O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil. Passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia.” (Exame.com).

O que é a Depressão?

A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. É um distúrbio bastante grave e tem ligação com alterações químicas cerebrais.

A depressão clínica é bem diferente da reação de tristeza e desapontamento. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado.

A depressão é uma doença. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células.


Pois bem, sabendo isso, vamos agora aos meios naturais para ajudar no combate a Depressão.

Primeiramente é preciso comer bastante carboidratos complexos, peixes, alimentos ricos em vitaminas B6 e B12 e ácido fólico (Também conhecido como vitamina B9).

Em segundo controlar o álcool, que pode provocar efeito depressivo, e a cafeína, pois pode interferir no sono e no humor.

E em terceiro, se você tiver usando inibidores de monoamina oxidase, evite alimentos e bebidas que contenham tiramina, tais como: cerveja, abacate, bananas, figos, feijão, coalhada, Queijos (Camembert, cheddar), Levedo, Salgados, picles, arenques, pimentão, salame,favas, vagens, ervilhas, cafeína (em grande quantidade),chocolate, fígado de galinha, abacaxi, ameixa, uva, molho de soja, fígado de aves, uva, e outros.

Uma dica muito legal e saborosa é comer chocolate. Pois foi descoberto que a substância natural do chocolate chamada feniletilamina (PEA) eleva os níveis de endorfina e age como um antidepressivo natural.

Outra coisa muito interessante:

Recentemente, especialistas perceberem que algumas pessoas que sofrem com depressão apresentam baixos níveis dos ácidos graxos ômega 3, que são encontrados em altas concentrações no cérebro.

Encontramos esses ácidos graxos abundantemente em peixes ricos em gorduras, em especial nos peixes de água fria, como salmão, truta e cavalinha.

Sabe-se que o baixo nível de ômega 3, chamado de DHA, está relacionado com à alta incidência de depressão pós-parto.

Para aqueles que não gostam de peixes, suplementos de óleo de peixe são vendidos em lojas de produtos naturais.

A seguir darei uma lista de alimentos que ajudam a combater a depressão. Alimentos nutritivos são necessários para que o corpo combata doenças. Infelizmente os depressivos não costumam cuidar de sua própria alimentação, o que resulta numa desnutrição que os impede de se recuperar.

Portanto é preciso a ajuda de familiares e amigos. 


Vamos lá:

·        Faça uma alimentação concentrada em carboidratos – Massas, pães, grãos, cereais, frutas e sucos. Estes alimentos permitem que o aminoácido triptofano penetre no cérebro, onde participa da produção de serotonina.

·     Restrinja o consumo de açúcar – Pois podem manifestar cansaço e nervosismo em pessoas que têm hipersensibilidade ao açúcar.

·        Obtenha mais vitamina B – As vitaminas B6 e B12 e o ácido fólico podem ajudar a tratar certas formas de depressão. Já foi provado que a vitamina B6 ajudam mulheres que sofrem com depressão relacionada à tensão pós-menstrual (TPM). As fontes de vitamina B6 são: carne, peixe, aves, grãos integrais, banana e batata. A vitamina B12 está presente em alimentos de origem animal e bebidas derivadas da soja e do arroz. O ácido fólico é encontrado em verduras, laranja, sucos, lentilhas, milho, aspargo, ervilha, nozes e sementes.

·        Ingira mais triptofano – Além do peru e de produtos de origem animal, o tripfano pode ser encontrado em boas quantidades em amêndoas, sementes de abobora e agrião.

Como eu disse no início, a depressão é uma doença. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado.

Aqui não estou levando em consideração a questão espiritual e a fé. Coisas que ajudam também na depressão, mas, que não é o propósito desse post.


A Discrepância Dos Pregadores Atuais Em Relação Ao Dízimo

Malaquias 3.8-10 tem sido usado como a base daqueles que querem trazer o dízimo para o Novo Testamento, pois do contrário você será amaldiçoado.

Será isso verdade?

Leia o que diz o apóstolo Paulo: “Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: "Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro". Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé.” (Gálatas 3.13,14).

Quando lemos Malaquias 3.8-10 perguntamos: “Para quem Deus está falando estas coisas?”. A resposta é: “Para o povo de Israel.”

Há todo um contexto no livro de Malaquias que deve ser levado em conta e do qual os pregadores não falam. A questão principal no livro de Malaquias é a desobediência do povo, que não cumpria aquilo que era determinado pela Lei.

Dificilmente algum líder fala das demais desobediências. Mas elas também são frequentes em nossos dias.

São quatro as sentenças que Deus dá ao povo neste livro e da qual a maldição sobre os dízimos e as ofertas é apenas uma delas.

Para entendermos melhor leia o texto: "Lembrem-se da lei do meu servo Moisés, dos decretos e das ordenanças que lhe dei em Horebe para todo o povo de Israel.” (Malaquias 4.4).

Uma das ordenanças que o texto fala é o dízimo. O pagamento do dízimo. Pois o dízimo era pago para a tribo de Levi, fazia parte do culto. E o povo não estava levando o dízimo. Não estava levando à casa do tesouro.

A casa do tesouro era o lugar onde ficavam as ofertas para serem queimadas, e também, onde ficavam as ofertas para o sustento da tribo de Levi.


Se o povo obedecesse essa Lei, conforme o texto: “Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova", diz o Senhor dos Exércitos, "e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las.” (Malaquias 3.10). Deus prometia abençoar o povo.

Usar Malaquias 3.8-10 para justificar o dízimo no Novo Testamento é um erro. O contexto do livro é todo voltado para o povo de Israel. E usar esse texto para amedrontar os fiéis é muita maldade.

Então o que obedecer do Velho Testamento e no Novo Testamento?

A maior dificuldade da maioria dos líderes é contextualizar a Bíblia. Trazer sua mensagem para os nossos dias. A maioria prefere ficar num sistema religioso opressor.

Para dar base as suas afirmações sobre o dízimo no Novo Testamento, dois textos são os favoritos, são eles: Mateus 23.23 e Hebreus 7.

Vejamos então: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.” (Mateus 23. 23).

O Senhor Jesus está pedindo o dízimo hoje? Ele está dando uma ordem? Está decretando algum mandamento? Para todas as perguntas a resposta é: Não!

Este pronunciamento de Jesus não constitui um mandamento, o que Ele está fazendo é repreender os escribas e fariseus hipócritas que estão dando o dízimo, estão seguindo o ritual religioso, seguindo a lei, mas estão negligenciando o que é mais importante e que também são concernentes a lei, que são: a justiça, a misericórdia e a fé.

Portanto Mateus 23.23 não pode ser utilizado para sustentar como base a petição do dízimo.


Outro texto muito utilizado para sustentação da argumentação sobre o dízimo é o texto de Hebreus.

Leiamos: “A lei requer dos sacerdotes dentre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes sejam descendentes de Abraão.” (Hebreus 7.5).

Isso nos mostra que dar dízimo é parte da lei de Moises, destinado aos israelitas. Estamos nós sobre a lei de Moises?

Vejamos o que diz o livro Atos: “Por meio dele, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela lei de Moisés.” (Atos 13.39).

Na era de Cristo, ou seja, da Graça, não podemos ser justificados pelas leis de Moises. Na era de Cristo o que nos justifica é crer em Cristo.

Hebreus 7.12, nos mostra o seguinte: “Pois quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei.” (Hebreus 7.12).

Portanto há uma mudança na lei.

O que encontramos em Hebreus 7, é uma argumentação que o autor faz em relação a um acontecimento citado em Gênesis 14. O autor não escreveu isso para ratificar o dízimo, mas para provar a superioridade de Jesus.como sacerdote, acima de Levi, acima de Arão.

Portanto, este texto também não serve para sustentar a tese do dízimo.


Então quem paga o dízimo hoje? Por causa disso ninguém não precisa pagar mais nada?

É justamente neste ponto que falta sinceridade e verdade por parte dos pastores e líderes. Pois enquanto mordomos de Deus, e com coração voluntário, cheio de amor e de gratidão somos constrangidos a dar. Ser constrangido é ser levado a fazer algo.

É isso que encontramos no Novo Testamento, como por exemplo:

Lucas 8.1-3 – Aqui encontramos algumas mulheres que ajudavam financeiramente o ministério de Jesus. Elas agiam voluntariamente. Não por medo de maldição ou por ameaça.

 Filipenses 4.17,18 – Paulo tinha um sistema de oferta para ajudar na obra ministerial dos apóstolos, e para ajudar nas necessidades de uma comunidade.

2 Corintios 8 – Esta carta de Paulo nos ensina como o povo de Deus se organizavam e participavam com ofertas de generosidade, com alegria, movidos pelo amor. Eles eram voluntários. Aspectos que nada equivalem à lei do Antigo Testamento e suas maldições.

No Novo Testamento o povo serve a Deus com liberdade, com alegria, constrangidos pelo amor, atraídos com amor.

Eles se dão voluntariamente porque entenderam a Cristo, entenderam a sua obra e sabem que essa obra deve alcançar mais pessoas, então doam totalmente sem nenhum tipo de pressão (2 Coríntios 5.14).

Sem nenhum medo de ameaça com gafanhoto, migrador, cortador, furtador e companhia.

No Novo Testamento tudo é uma questão de coração, de amor: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” (2 Coríntios 9.7). 

Conforme a largueza do seu coração, conforme a voluntariedade do seu coração, conforme a sua compreensão do amor recebido e conforme sua gratidão: “Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama." (Lucas 7.47).

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Jejum - Da Religiosida Para a Consciência da Graça de Deus

Muitas igrejas dizem não praticar a religiosidade, mas suas práticas dizem justamente o contrário. A religiosidade se manifesta quando os rituais são praticados sem nenhuma mudança real na vida das pessoas.

O povo judeu estava acostumado com a instituição da prática do jejum, pois estava no seu calendário religioso e no dia do jejum eles simplesmente iam cumprir o ritual, sem ter nenhuma mudança em suas vidas, ou seja, passavam fome.

No livro de Isaías, como vimos na postagem anterior, no capitulo 58, Deus falou por meio do profeta dizendo o seguinte: “Vocês querem fazer algo que realmente me agrade, então ajude os pobres, largue o pecado, pare de oprimir os inocentes, deixe de lado a violência, ande nos caminhos de Deus, então vocês verão as suas curas e Eu ouvirei as orações de vocês.”

Deus está mostrando que o ritual desacompanhado de arrependimento, de uma vida santa, de mudança de atitude, e de oração não tem valor para Ele.

O jejum como temos visto atualmente não é o jejum que agrada a Deus, pois o que vemos é a prática de deixar determinadas coisas e ir buscar os próprios interesses, sem nenhuma mudança de atitude.

A maioria dos líderes enxerga o jejum como um sacrifício a ser feito a Deus para que Ele então possa abençoar o adepto. Mas como diz um amigo: “Jejum não é sacrifício, é sacro-ofício, e é prazer!”


E foi por esse motivo que Jesus disse que ele deve ser praticado em secreto, pois fazê-lo em público é o caminho para a corrupção da devoção, pois vira show de santificação, como faziam os fariseus (Mateus  6.6).

O jejum deve ser a declaração da alma que em silêncio, na quietude do quarto, e em meditação entra em curtição na presença do ser de Deus.

Jejum não deve ser um sacrifício, e sim está carregado de amizade com Deus, de separar um tempo para gozar do amor de Deus num lugar que seja secreto, onde só você e Ele estão presentes. É esse jejum que faz falta. É esse tipo de jejum que quando voltar a ser praticado, poderá mudar muita coisa, pois mudará a alma do povo.

Um jejum discreto, apaixonado, silencioso e amante de Deus. Um jejum que enche o coração de gozo, que sensibiliza a alma, dando voluntariedade ao espírito. E desse jejum, aquele que o come, se alimenta de gratidão. Pois jejuar também é parte da Graça que nos é dada.

Ao nos entregarmos aos mecanismos de repetição de sacrifícios e barganhas, por mais ingênuos que possam parecer, significa que estamos tirando a validade do sacrifício eterno de Jesus, e isso significa que estamos caindo da Graça. 

Cai quem deixa a fé e a consciência da Graça de Deus.


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A Discrepância Dos Pregadores Atuais Em Relação Ao Jejum

Alguns pregadores adotaram a prática de ensinar aos seus seguidores a retirar de seus cardápios algum alimento de sua predileção por um breve período de tempo, quando não é o alimento, é alguma coisa que ele julga está escravizando seu seguidor. Como por exemplo, tirar o refrigerante, a televisão, o celular, a internet e outras coisas.

Biblicamente, o jejum é a abstinência total, e algumas vezes parcial, de alimentos para a dedicação à oração, exame da alma e a comunhão com Deus.

Às vezes era também usado como expressão de quebrantamento, de tristeza e de arrependimento diante de Deus.

No Velho Testamento havia dias específicos de jejum na religião dos judeus. Havia época de a nação inteira ficar de jejum dois ou três dias, onde o povo afligia a sua alma diante de Deus e se arrependiam de seus pecados. Renovando assim a sua aliança com Deus, e tendo como propósito o viver para Ele.

Ainda no Velho Testamento encontramos vários juízes, sacerdotes e reis chamando a nação, pedindo que jogassem fora os ídolos, pedindo que se arrependessem e voltassem para Deus. O jejum fazia parte da evidência do arrependimento e da dependência de Deus. 


Portanto o objetivo do jejum é mortificar a nossa carne, quebrar os nossos desejos, elevar o nosso espírito, e nos entristecer diante de Deus. Esse é o propósito do jejum, e no Velho Testamento era através da prática desse exercício que o povo se apresentava diante de Deus.

Mas como eu disse no início desse post, os pregadores atuais tem distorcido essa prática, fazendo da forma errada e pelo motivo errado. Prometendo coisas, que Jesus não prometeu, através do jejum, como se o jejum em si fosse uma coisa mística. Uma espécie de talismã ou garantia de benção. Fazendo Deus parecer um escravo do seu pedido.


Mas isso não é algo novo, pois já no Antigo Testamento, alguns já usavam erradamente o jejum. O que os pregadores atuais estão fazendo é copiar esses erros e repassar para os membros de suas igrejas.

O aprendemos nas Escrituras é que se o jejum for só ficar sem comer, não tem nenhum valor espiritual. Pois se o jejum não for acompanhamento de uma atitude correspondente, ele não tem valor algum. Não valerá absolutamente nada!

E quais são essas atitudes correspondentes? Nós já falamos sobre elas anteriormente. São elas: quebrantamento, arrependimento, confissão de pecado, humilhação diante de Deus, tempo de oração, e dedicação a Ele. Em outras palavras, é um tempo para se alimentar de Deus.

No livro de Isaías 58, o povo se chega a Deus perguntando por que ele não respondia, uma vez que eles estavam jejuando. Questionavam por que eles afligiam sua alma e Deus não levava em conta. Por que oravam e Deus não respondia. E ainda por que os inimigos estavam se aproximando e Deus permitia.

A resposta de Deus ao povo, através do profeta Isaías foi esta: “Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor?” (Isaías 58.5).


 O que se tem ensinado atualmente é isso, ficar sem comer durante alguns dias, se humilhe durante algumas horas, e nada mais.

Mas Isaías diria ainda mais ao povo, ele disse: "O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?” (Isaías 58.6,7).

Para encerrarmos por aqui, apesar de ter muita coisa ainda para serem ditas, mas para esse momento é o suficiente, Isaías diz mais um pouco por parte de Deus, ele diz: “Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. "Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia. O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.” (Isaías 58.8-11). 

O jejum não é algo para ser trocado com Deus para ser abençoado. Ele em si não tem poder algum. Mas, é uma prática de expressão de arrependimento e dependência de Deus, que logo depois é refletida na atitude com o próximo.

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Discrepância Dos Pregadores Atuais e a Mensagem Das Escrituras.

Estou cansado de ouvir tanta discrepância em relação aos pregadores de hoje e a mensagem das Escrituras.

Estou cansado de ir às igrejas e ouvir sempre o mesmo diálogo, de promessas de prosperidade e do crente desfrutar do melhor desde mundo.

Estou cansado de ouvir mensagens baseadas somente no Velho Testamento, e pregadores que forçam um contexto para adaptar o texto aquilo que lhe seja conveniente.

Estou realmente cansado!

A Palavra do Senhor é a mensagem do Evangelho sobre o Senhor Jesus Cristo. É essa palavra que faz com que homens e mulheres nasçam de novo.

Na primeira carta do apóstolo Pedro, no capitulo dois dos versos um ao dez, encontramos Pedro ensinando que o desejo de Deus é que os cristãos deixem as coisas do mundo e voltem-se totalmente para Deus.

“Sois chamados a proclamar os grandes feitos do Senhor.” (1 Pedro 2.9).

Quando os cristãos fizerem isso, eles entenderam que receberam o que foi rejeitado pelo mundo, e o que eles rejeitaram é o que o mundo recebeu.

A realidade que Pedro está ensinando é que todo cristão que se volta para Deus verá isso como uma realidade em sua vida porque foram escolhidos por Deus para não mais fazerem parte desse mundo.

Vivemos aqui, é claro, mas não mais apenas como pessoas que aqui vivem, mas, como filhos de Deus.

Portanto ao sermos chamados por Deus, somos chamados não para nos tornarmos prósperos e sim para que possamos proclamar ao mundo as obras desse Deus glorioso.


Prosperar é apenas um pequeno detalhe nisso tudo. Pois depende de obediência do crente e da soberania de Deus. Nunca foi e nem será por mérito humano. 

Independente de ser prospero, no sentido em que se é pregado hoje, o melhor é continuar a obedecer a Deus e servi-Lo com alegria e dedicação. Pois quando Deus age, realiza grandes feitos.