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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A Discrepância Dos Pregadores Atuais Em Relação Ao Dízimo

Malaquias 3.8-10 tem sido usado como a base daqueles que querem trazer o dízimo para o Novo Testamento, pois do contrário você será amaldiçoado.

Será isso verdade?

Leia o que diz o apóstolo Paulo: “Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: "Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro". Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios, para que recebêssemos a promessa do Espírito mediante a fé.” (Gálatas 3.13,14).

Quando lemos Malaquias 3.8-10 perguntamos: “Para quem Deus está falando estas coisas?”. A resposta é: “Para o povo de Israel.”

Há todo um contexto no livro de Malaquias que deve ser levado em conta e do qual os pregadores não falam. A questão principal no livro de Malaquias é a desobediência do povo, que não cumpria aquilo que era determinado pela Lei.

Dificilmente algum líder fala das demais desobediências. Mas elas também são frequentes em nossos dias.

São quatro as sentenças que Deus dá ao povo neste livro e da qual a maldição sobre os dízimos e as ofertas é apenas uma delas.

Para entendermos melhor leia o texto: "Lembrem-se da lei do meu servo Moisés, dos decretos e das ordenanças que lhe dei em Horebe para todo o povo de Israel.” (Malaquias 4.4).

Uma das ordenanças que o texto fala é o dízimo. O pagamento do dízimo. Pois o dízimo era pago para a tribo de Levi, fazia parte do culto. E o povo não estava levando o dízimo. Não estava levando à casa do tesouro.

A casa do tesouro era o lugar onde ficavam as ofertas para serem queimadas, e também, onde ficavam as ofertas para o sustento da tribo de Levi.


Se o povo obedecesse essa Lei, conforme o texto: “Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova", diz o Senhor dos Exércitos, "e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las.” (Malaquias 3.10). Deus prometia abençoar o povo.

Usar Malaquias 3.8-10 para justificar o dízimo no Novo Testamento é um erro. O contexto do livro é todo voltado para o povo de Israel. E usar esse texto para amedrontar os fiéis é muita maldade.

Então o que obedecer do Velho Testamento e no Novo Testamento?

A maior dificuldade da maioria dos líderes é contextualizar a Bíblia. Trazer sua mensagem para os nossos dias. A maioria prefere ficar num sistema religioso opressor.

Para dar base as suas afirmações sobre o dízimo no Novo Testamento, dois textos são os favoritos, são eles: Mateus 23.23 e Hebreus 7.

Vejamos então: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.” (Mateus 23. 23).

O Senhor Jesus está pedindo o dízimo hoje? Ele está dando uma ordem? Está decretando algum mandamento? Para todas as perguntas a resposta é: Não!

Este pronunciamento de Jesus não constitui um mandamento, o que Ele está fazendo é repreender os escribas e fariseus hipócritas que estão dando o dízimo, estão seguindo o ritual religioso, seguindo a lei, mas estão negligenciando o que é mais importante e que também são concernentes a lei, que são: a justiça, a misericórdia e a fé.

Portanto Mateus 23.23 não pode ser utilizado para sustentar como base a petição do dízimo.


Outro texto muito utilizado para sustentação da argumentação sobre o dízimo é o texto de Hebreus.

Leiamos: “A lei requer dos sacerdotes dentre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes sejam descendentes de Abraão.” (Hebreus 7.5).

Isso nos mostra que dar dízimo é parte da lei de Moises, destinado aos israelitas. Estamos nós sobre a lei de Moises?

Vejamos o que diz o livro Atos: “Por meio dele, todo aquele que crê é justificado de todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela lei de Moisés.” (Atos 13.39).

Na era de Cristo, ou seja, da Graça, não podemos ser justificados pelas leis de Moises. Na era de Cristo o que nos justifica é crer em Cristo.

Hebreus 7.12, nos mostra o seguinte: “Pois quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei.” (Hebreus 7.12).

Portanto há uma mudança na lei.

O que encontramos em Hebreus 7, é uma argumentação que o autor faz em relação a um acontecimento citado em Gênesis 14. O autor não escreveu isso para ratificar o dízimo, mas para provar a superioridade de Jesus.como sacerdote, acima de Levi, acima de Arão.

Portanto, este texto também não serve para sustentar a tese do dízimo.


Então quem paga o dízimo hoje? Por causa disso ninguém não precisa pagar mais nada?

É justamente neste ponto que falta sinceridade e verdade por parte dos pastores e líderes. Pois enquanto mordomos de Deus, e com coração voluntário, cheio de amor e de gratidão somos constrangidos a dar. Ser constrangido é ser levado a fazer algo.

É isso que encontramos no Novo Testamento, como por exemplo:

Lucas 8.1-3 – Aqui encontramos algumas mulheres que ajudavam financeiramente o ministério de Jesus. Elas agiam voluntariamente. Não por medo de maldição ou por ameaça.

 Filipenses 4.17,18 – Paulo tinha um sistema de oferta para ajudar na obra ministerial dos apóstolos, e para ajudar nas necessidades de uma comunidade.

2 Corintios 8 – Esta carta de Paulo nos ensina como o povo de Deus se organizavam e participavam com ofertas de generosidade, com alegria, movidos pelo amor. Eles eram voluntários. Aspectos que nada equivalem à lei do Antigo Testamento e suas maldições.

No Novo Testamento o povo serve a Deus com liberdade, com alegria, constrangidos pelo amor, atraídos com amor.

Eles se dão voluntariamente porque entenderam a Cristo, entenderam a sua obra e sabem que essa obra deve alcançar mais pessoas, então doam totalmente sem nenhum tipo de pressão (2 Coríntios 5.14).

Sem nenhum medo de ameaça com gafanhoto, migrador, cortador, furtador e companhia.

No Novo Testamento tudo é uma questão de coração, de amor: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” (2 Coríntios 9.7). 

Conforme a largueza do seu coração, conforme a voluntariedade do seu coração, conforme a sua compreensão do amor recebido e conforme sua gratidão: “Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama." (Lucas 7.47).

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