Páginas

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A Doutrina da Eleição - Soteriologia - E.T. - Parte 5

Chegamos a quinta e última parte sobre a Doutrina da Eleição. Certamente este post não tem como finalidade por um ponto final no assunto. Mas, simplesmente embutir no leitor o desejo de estudar e se apresentar “como um obreiro aprovado que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2.15).

Hoje estaremos mostrando as provas tiradas das Escrituras que aprovam a Doutrina Calvinista, como também, algumas objeções a esta doutrina.

Se as Instituições que ensinam a Teologia se propusessem a apresentar as doutrinas, mostrando seus pontos fortes e fracos, creio teríamos mais pensadores cristãos do que meros imitadores robotizados, ensinando nas igrejas. O que consequentemente fariam surgir crentes mais maduros e comprometidos com a verdade.


Bem, vamos iniciar nosso assunto de hoje.

No mês passado vimos que no cerne do pensamento de Calvino, está a Soberania de Deus, como se pode constatar na sua obra As Institutas da Religião Cristã. Portanto, o calvinismo tornou-se o desenvolvimento histórico com base nas Institutas.

Mas, o que nas Escrituras provam a Doutrina Calvinista? Veremos isso por etapas.

Prova 1 – Nas Escrituras encontramos textos que falam de uma eleição feita por Deus. Se aceitarmos que a linguagem das escrituras tem algum sentido, isso deve significar que Deus escolhe o indivíduo para a salvação. Portanto, qualquer doutrina que substitua a escolha de Deus por uma que faça parecer que o homem possa eleger-se a si mesmo, não está de acordo com os ensinos das Escrituras.

Prova 2 – A eleição de Deus envolve todos os antecedentes da salvação do homem, sem as quais o homem jamais poderia fazer qualquer escolha. Nenhum homem jamais teve a oportunidade de escolher onde nascer, quem seriam seus pais, como seria ensinado, se o Evangelho chegaria até seus ouvidos ou se permaneceria ignorante ao seu chamado.

Tudo isso, faz parte do plano de salvação do homem, e depende exclusiva e absolutamente de Deus.

Prova 3 – Se em última análise, a salvação depende dele mesmo e não de Deus, há a possibilidade de que nenhum homem venha ser salvo, e assim Jesus teria sofrido e morrido em vão.

Prova 4 – Se os infantes, os imbecis, os incapazes, os pagãos são realmente salvos, só o podem ser pela eleição direta e soberana de Deus.

Prova 5 – Se a iniciativa da salvação é de Deus; e se a convicção, a persuasão e a habilitação do pecador são obra do Espírito Santo, então é evidente que a eleição é que determina tudo isso.

Prova 6 – A Doutrina é tirada das Escrituras. Textos como Efésios 1.5; Efésios 1.11; 2 Timóteo 1.9; Romanos 1.11,12; Romanos 9.15; Romanos 9.21; Romanos 11.5,6; atestam este fato.

Prova 7 – O arrependimento, a fé, e as obras são o resultado do decreto e não a causa. Conforme os textos: Efésios 1.4; 1 Pedro 1.2; Filipenses 2.13; Efésios 2.8; 2 Tessalonicenses 2.13; Romanos 8.29; Atos 13.48.  

Observando estas provas chegamos a conclusão de que a eleição soberana de Deus é a teoria que oferece maior esperança, do que qualquer outra teoria sobre a eleição. Pois se a escolha se baseia na perversa, rebelde e depravada vontade humana, quão poucos se salvarão.


Vimos algumas provas acerta do Calvinismo. Agora veremos algumas objeções acerca da doutrina e as respostas a essas objeções.

Objeção 1 – É incompatível com o livre-arbítrio. Resposta: O homem que é convencido e persuadido pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo a confessar o seu pecado, e abraçar a salvação é tão livre quanto um homem a quem persuadimos a dar um passeio. E o homem que resisti à chamada de Deus, escolhendo seguir o seu próprio caminho de destruição e perdição não pode se queixar de não se um agente livre. Pois ele mesmo é quem escolheu o seu caminho e o seguiu.

Exemplo disso parece ser o caso de Saulo de Tarso. Deus interveio na sua rebelião e oposição a Deus. Deus o chama e o regenera. Apesar disso Saulo ainda era um agente livre em cada ato de sua vida. Ele era um agente livre em sua rebelião, e foi um agente livre na sua obediência. Mas na sua regeneração ele não foi agente em nada.

Objeção 2 – Apresenta Deus como parcial em sua maneira de tratar os homens. Resposta: Na realidade, Deus não trata a todos no mesmo pé de igualdade. Alguns nascem e vivem em terras pagãs, outros em ambiente cristão. Deus escolheu Israel para ser o seu povo e deixou os demais na ignorância do verdadeiro Deus.

A parábola dos semeadores na vinha mostra que Deus é sobreano na dispensação de seus dons: “Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu?” (Mateus 20.15).

Objeção 3 – É injusta para com os não eleitos – Resposta: A estrita justiça condenaria a todos. Deus não tem obrigação de salvar ninguém. Toda salvação é pura misericórdia; toda condenação é simples justiça.

Para melhor compreensão: Um governador ao perdoar um criminoso na penitenciaria não está obrigado a perdoar a todos. Quando ele perdoa a um, não faz nenhuma injustiça ao resto.

Se os perdidos persistem em seu próprio caminho e alcançam o fim que escolheram, como podem queixar de injustiça?

Existem outras objeções? Certamente. Mas, não vou me deter aqui a escrever. Como eu disse anteriormente. Meu desejo é fomentar no leitor o desejo de buscar, de estudar e não viver essa vida medíocre que vemos hoje nas igrejas. Crentes preocupados com a vida de prosperidade que podem receber ao se filiarem a uma determinada igreja.

“alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lucas 10.20). Essa é a grande alegria de Jesus no Espírito.

O calvinismo nos ensina a ser humildes diante de Deus, gratos por algo que Deus resolveu nos dar mesmo sem merecermos.

Creio que foi de grande valor para você acompanhar esses cinco posts acerca da Eleição. Deus o abençoe.

Até o próximo mês.


Leia também: