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segunda-feira, 13 de julho de 2015

As Boas Novas de Coisas Velhas – Parte 8

Esse crescente interesse dos evangélicos por satanás, demônios, espíritos malignos e o misterioso mundo dos anjos, nada mais é do que o surto de misticismo e interesse no mundo atual pelos anjos, maus e bons e pelo oculto.

Em matéria recente, “Charlie, A Brincadeirado Lápis – Continuação” escrevi que o seu crescimento se dá, em grande parte, devido ao fascínio que os seus ensinos exercem sobre as mentes das pessoas desprovidas do verdadeiro conhecimento, e alienadas de Deus.

É a mesma coisa em ambientes diferentes.

A preocupação, no entanto, no meio evangélico se dá, pois nos locais onde ganhou a adesão de pastores e comunidades, produziu um cristianismo em que a atividade satânica se tornou o centro e a razão de ser. As doutrinas fundamentais da fé cristã são relegadas a segundo plano. Em muitas igrejas já não são mais ensinadas e não fazem mais parte de sua liturgia.


Resultado disso é que encontramos hoje um cristianismo distorcido e deformado. Os ensinamentos de salvação pela fé somente, mediante o sacrifício redentor, único e expiatório de Jesus já não tem muita importância. A doutrina sobre Cristo, sua mediação e seu oficio, nem se ouve falar. Nem tão pouco se fala sobre a queda, a depravação do homem, sobre a santificação progressiva mediante os meios da graça, tudo isso é negligenciado.

A igreja cresceu em números, mas foi somente a igreja caricaturarizada que alcançou de forma generalizada a alma do brasileiro. “Tá amarrado”, “O sangue de Jesus tem poder”, “A paz...”. São coisas que foram absorvidas pela sociedade e hoje fazem parte da cultura. A questão é que o que foi absorvido por essa alma nacional foi o pior que as igrejas evangélicas podiam mostrar.

O movimento de “Batalha Espiritual” produziu muitas igrejas cujo seu principal ministério é a expulsão de demônios e a libertação de crentes e descrentes da opressão de demônios. Pois para eles toda opressão é do diabo.

E verdade que no Brasil há um grande número de pessoas convertidas que vieram de um passado no espiritismo e também da umbanda. Mas segundo a Bíblia nos ensina Satanás não tem mais nenhum poder ou direito sobre eles, pois suas dividas foram removidas pelo sangue de Jesus na cruz: “Pois vocês sabem o preço que foi pago para livrá-los da vida inútil que herdaram dos seus antepassados. Esse preço não foi uma coisa que perde o seu valor como o ouro ou a prata. Vocês foram libertados pelo precioso sangue de Cristo, que era como um cordeiro sem defeito nem mancha” (1 Pedro 1. 18, 19). Todos os pactos, acordos, votos e trabalhos que foram feitos com demônios são anulados na vida daquele que crer.

O que os ensinamentos do movimento da “Batalha Espiritual” faz é essa verdade parecer ilegítima. Pois uma de suas tendências é adicionar a quebra de maldições hereditárias e de se anular compromissos que ficaram pendentes com o diabo.


Esse movimento ensina que herdamos maldições de nossos antepassados e que precisamos anular essas maldições. Mas o que a Bíblia nos ensina é que toda retribuição divina sobre os que aborrecem a Deus são anuladas no momento em que estes filhos se arrependem de seus próprios pecados, e os confessam a Deus.

O texto usado por eles para defesa de seus argumentos é o de Êxodo 20.5, em que Deus ameaça visitar a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que aborrecem a Deus. Mas do mesmo modo, a Bíblia nos diz que se um filho de um pai idólatra e adultero olhar para essas obras más e se arrepender, e vir a temer a Deus, nada do que o seu pai fez cairá sobre ele.

A mensagem do profeta Ezequiel tem ênfase neste assunto. O povo de Israel reclamava a Deus usando um provérbio da época que dizia: “Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotam?” (Ezequiel 18:2b). Todavia Deus os repreendeu, através do profeta Ezequiel: “Pois todos me pertencem. Tanto o pai como o filho me pertencem. Aquele que pecar é que morrerá” (Ezequiel 18:4), e ainda: “Contudo, vocês perguntam: ‘Por que o filho não partilha da culpa de seu pai?’ Uma vez que o filho fez o que é justo e direito e teve o cuidado de guardar todos os meus decretos, com certeza ele viverá. Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho” (Ezequiel 18. 19, 20).

Esses textos nos ensinam que a conversão e o arrependimento quebram, anula, na existência de uma pessoa, a maldição hereditária.

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