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Você Não é Burro — Seu Cérebro Foi Reprogramado Para Não Conseguir Ler Mais Um Livro Inteiro

  Por que você não consegue mais terminar um livro? Você já começou um livro com entusiasmo genuíno e, poucas páginas depois, sentiu uma vontade incontrolável de checar o celular? Esse fenômeno, cada vez mais comum entre adultos e jovens, não é sinal de burrice, fraqueza intelectual ou falta de disciplina. É o resultado mensurável de uma mudança estrutural profunda no modo como nosso cérebro processa informação — provocada, em grande parte, pelo consumo massivo de microvídeos. Primeiramente, precisamos reconhecer a gravidade dessa perda. A leitura profunda não é apenas hábito cultural nostálgico — ela é habilidade cognitiva complexa, construída ao longo de anos, e hoje sendo silenciosamente desmontada por um ambiente digital hostil à concentração sustentada. O que os microvídeos estão fazendo com sua capacidade de concentração? Como especialista em Letras, é impossível não lamentar o que está sendo perdido: a leitura profunda desenvolve repertório analítico, vocabulário s...

É Um Sonho!

O cavalo cruzou o vale em trotes lentos. Abriram caminho por entre as árvores e chegaram a um local onde um riacho cortava aquele vale.

O homem vestia uma calça de brim desbotado, uma camisa vermelha larga, com estampas xadrez grande e um chapéu branco, nos pés usava uma botina marrom. Então apeou e conduziu o cavalo até aquele riacho.

O cavalo bufou. Era como se estivesse alegre em ter parado ali e está sendo conduzido até aquele riacho de águas frescas.

O homem pegou o seu cantil que estava no alforje, junto à sela do animal. Bebeu um gole de água e olhou para o céu. Não estava um dia ensolarado, e ele deu graças a Deus por isso.

Por um momento ficou admirando o local. Um vale de mata verde, cujo tom se misturava entre claro e escuro. Algumas flores campestres e árvores que deixavam suas sombras refrescarem aqueles que por ali paravam. Era verdadeiramente um lugar muito bonito. Uma verdadeira obra prima feita pelo criador. Como está escrito: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmos 19. 1).

Ele colocou novamente o cantil no seu lugar. Esperou o cavalo terminar e o conduziu pelas rédeas até uma árvore onde as amarrou em torno dela.

Tirou o seu chapéu e se deitou por algum tempo ali naquele campo verdejante. O som das águas o deixou relaxado. Era tudo o que ele precisava naquele momento. Um lugar onde pudesse meditar e ao mesmo tempo desfrutar literalmente daquilo que ele considerava o seu Salmo favorito. O Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias”.

O que parecia um sonho se tornava uma realidade tanto objetiva como subjetivamente na vida daquele homem. Ele havia sido levado até um lugar de águas tranquilas e agora estava deitado em pastos verdejantes. E enquanto desfrutava disso tudo, sentia sua alma ser refrigerada com a certeza de que Deus era o seu pastor e isso o confortava. Ele não sabia se havia algum inimigo em sua vida. Talvez sim, ou pode ser que não, pois a natureza humana é egoísta e invejosa, mas algo que ele tinha certeza era que continuaria a ser bondoso e misericordioso dentro de suas possibilidades.

Enquanto ele meditava, seu cavalo bufou, e esse foi o último som que ele ouviu antes de cair num leve sono.