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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lições Acerca do Amor

Lidar com perdas é sempre difícil. Mesmo quando se trata apenas de um animalzinho de estimação. No dia 10 de março. O nosso cãozinho de raça lhasa morreu. Foram muitos anos de aventuras juntos dele, e meus filhos cresceram brincando com ele e, muitas vezes ele me acompanhou no carro, quando eu ia buscá-los na escola.

Esse fato, no entanto me fez lembrar um personagem bíblico. Pode parecer bobagem, mas é verdade.

O nome desse personagem é Jonas. Alguém que ficou imensamente desapontado com Deus por Ele ter deixado morrer uma planta.

Veja o diálogo entre os dois:

“Mas Deus disse a Jonas: "Você tem alguma razão para estar tão furioso por causa da planta?" Respondeu ele: "Sim, tenho! E estou furioso a ponto de querer morrer". Mas o Senhor lhe disse: "Você tem pena dessa planta, embora não a tenha podado nem a tenha feito crescer. Ela nasceu numa noite e numa noite morreu”. (leia toda a história em: Jonas 4.4-11).

Entendeu a razão de Jonas ter ficado desapontado quando Deus decidiu não mais destruir Nínive?
 

Então vejamos: A princípio Jonas nem quis partir naquela missão, embarcou em um navio no porto de Jope e seguiu na direção oposta.

Nínive ficava na Mesopotâmia. Foi uma cidade muito importante do Império Assírio. Foi destruída em 612 antes de Cristo. Ficava às margens do rio Tigre, na região norte da Mesopotâmia. Observe agora o detalhe: Em linha reta, Nínive não era menos do que 1.000 quilômetros de Jope - atual Tel Aviv.

Jonas queria ou não ficar longe de Nínive?

Alguns fatos interessantes sobre a historicidade do Livro de Jonas.

Esse livro não é um livro histórico, como acontece com o Livro de Atos dos Apóstolos, não conta fatos verdadeiramente acontecidos. Nínive já tinha sido destruída quando a história foi escrita. Além do mais, a conversão de toda a cidade, como contada pela Bíblia, teria deixado documentos escritos, pois aquela zona e o período assírio são ricos de documentação extra-bíblica. Além disso, o estilo do livro é irônico e não combina em nenhum modo com o estilo da história.

Mas isso não é motivo para ninguém perder a fé. Se isso acontecer... Misericórdia. – Sugiro estudar mais ou fazer um Curso de Teologia.

Penso que podemos dizer que Jonas é uma figura do homem orgulhoso de sua religião e fidelidade. Para ele pregar a destruição de Nínive era fácil.

(Assim como acontece com muitos crentes que gostam de pregar que está todo mundo no inferno).

Mas quando Deus agiu em graça, Jonas não gostou nem um pouco, porque mexeu com o orgulho dele. Se Deus estava perdoando aquele povo tão ímpio só porque se arrependeram, de que adiantava viver em obediência a Deus? Esse era pensamento de Jonas.

(É também o de muitos crentes, que pensam que pelo fato de viverem dentro da igreja, são mais dignos do que outros).
 
http://ub.universidadedabiblia.com.br/curso-bacharel-em-teologia/?ref=P5456952F

“Agora, Senhor, tira a minha vida, eu imploro, porque para mim é melhor morrer do que viver” (Jonas 4.3).

A cidade de Nínive arrependeu-se depois de ouvir a pregação de Jonas. Ele não gostava dos ninivitas, e não os consideravam dignos da misericórdia de Deus. Ele os julgou. Foi preciso Deus tratar com ele, e o colocar de volta no caminho.

Que lições podemos tirar desse fato com Jonas?

"Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas” (Marcos 16.15). É o que Jesus disse para aqueles discípulos no seu tempo, mas, que ainda é válido para nós.

Isso significa que o amor é uma dívida que jamais poderemos pagar completamente. Mas o Senhor nos diz que é para amarmos ao nosso próximo e até mesmo os nossos inimigos: “Eu, porém, digo: Amem os vossos inimigos. Bendigam os que vos maldizem. Façam o bem aos que vos odeiam. Orem por quem vos persegue! Assim procederão como verdadeiros filhos do vosso Pai que está no céu. Porque ele faz brilhar o Sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e manda a chuva cair tanto sobre justos como injustos” (Mateus 5. 44,45).

Eu quero compartilhar três lições que aprendemos com essa história de Jonas:

1)    O amor é prova também do genuíno serviço: "Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas" (João 21.16).

2)    O amor prova ainda a realidade da nova vida: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte." (1 João 3.14).

3)    O amor prova o amor, isto é, o amor é prova do amor fraternal: "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1 João 4.20).

Para concluirmos:

Encontramos muitos meninos e meninas querendo mostrar a prova do seu amor. Muitas vezes entram em grandes enrascadas. E a maioria das vezes quem pede uma prova, só mostra o seu egoísmo ou sua insegurança. Pedir uma prova de amor é uma manipulação das emoções e dos sentimentos, algumas vezes é um sequestro, pois priva o outro de sua liberdade.

Deus dá uma lição em Jonas no último capítulo de seu livro, mostrando o quanto o seu coração era mau por estar mais preocupado com a saúde de um pé de abóbora do que com a população inteira de Nínive, pessoas e animais.

O interessante é que séculos mais tarde outro homem também estava em Jope, e era resistente à ideia de Deus salvar os gentios, aqueles que não eram judeus, por graça somente, colocando-os em pé de igualdade com os judeus. Esse homem era Pedro, e foi em um terraço em Jope, que Deus falou com ele e o preparou para a visita a Cornélio, o primeiro gentio a ser recebido na recém-criada Igreja. Esta história você encontra em Atos 10.

Então é isso. O amor deve mover o coração da Igreja. Se assim não for, a igreja está errando em seu propósito.

O amor deve ser a mensagem da Igreja, se ao invés disso prega prosperidade (aquisições de bens, por exemplo), a igreja está errando no seu propósito.

Deus o abençoe.

                      DÊ UMA BÍBLIA A QUEM VOCÊ AMA!