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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Inabilidade do Homem – Antropologia – E.T.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Efésios 2. 8).

No ponto de vista de Agostinho, e também de Calvino, o homem está totalmente desabilitado pela queda. Ficando assim completamente dependente de Deus para o início e desenvolvimento da vida espiritual.

Embora as Escrituras declarem que o homem é, por natureza, espiritualmente morto perante Deus, e totalmente incapaz de se arrepender dos seus pecados, nas igrejas ele é exortado a levantar a mão, ir à frente, aceitar a Cristo e fazer uma decisão. Depois disso ele é considerado salvo.

Para os moldes do século 21 o homem está muito confiante de si e na sua própria capacidade. Isso é consequência de muitos pregadores que apresentam o Evangelho de tal forma que o homem só precisa fazer certas coisas para se tornar um autêntico cristão.

Porém precisamos entender que a inabilidade não significa a perda de qualquer faculdade da alma intelecto, sentimento, vontade ou consciência. Não significa também a perda do livre arbítrio. Nem tão pouco significa que o homem caído não possua virtudes. Os homens caídos e sem o novo nascimento muitas vezes apresentam qualidades admiráveis.


A inabilidade não significa falta de capacidade para conhecer a Deus e receber a graça.

Mas a situação do homem diante de Deus é profundamente calamitosa e só Deus na Sua graça e misericórdia pode solucioná-la: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair” (João 6. 44).

O que a mensagem moderna tem ensinado é bem diferente daquilo que as Escrituras mostram. Pois somente uma ação poderosa do Espírito Santo no íntimo do pecador pode salvá-lo.

O que podemos aprender com a Doutrina da Inabilidade?

Aprendemos que o homem caído é incapaz de guardar a lei de Deus e merecer a vida pelas suas obras: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2. 8,9).

Aprendemos também que o homem é incapaz de restaura-se a si mesmo no favor de Deus: “a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus” (Romanos 8. 7,8).

Aprendemos que o homem é incapaz de mudar a sua natureza, regenerar-se a si mesmo e tornar-se santo: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo” (João 3. 3); “O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (João 3. 6).


Aprendemos que o homem é incapaz de nutrir um sentimento correto ou inclinação para com Deus: “Não que possamos reivindicar qualquer coisa com base em nossos próprios méritos, mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Coríntios 3. 5).

Aprendemos que esta inabilidade foi auto-adquirida pela raça, constituindo, portanto, culpa: “deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos” (Efésios 2. 5); “Pois, quem torna você diferente de qualquer outra pessoa? O que você tem que não tenha recebido? E se o recebeu, por que se orgulha, como se assim não fosse?” (1 Coríntios 4. 7).

Então o que o homem pode fazer em relação a sua salvação?

Primeiramente ele pode ouvir a mensagem de Deus a cerca de si mesmo e aprender a verdade acerca de sua pecaminosidade e inabilidade.

Em segundo, ele pode examinar a perfeição de Deus e descobrir quão longe está de tê-la cumprido.

Em terceiro, o homem pode experimentar obedecer a essa lei, o que ainda mais o convencerá de sua inabilidade.

Em quarto, ele pode aprender que não há esperança para ele sem a graça divina.

Em quinto, ele pode apelar para Deus a fim de fazer a obra que ele não pode fazer por si mesmo: “Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável” (Salmos 51. 10).

Mas até mesmo essa atitude revela a graça de Deus agindo em seu coração.


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