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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Capacete da Salvação

      É triste vermos muitos cristãos com medo. Não digo o medo comum que todo ser humano tem, e que em alguns casos é o que nos mantém vivos. Estou me referindo ao medo que muitos crentes têm de perder a sua salvação.

Basta simplesmente olharmos para depoimentos como esses a seguir para termos uma ideia: “Se você não cuidar em fazer boas obras, não poderá se salvar!”, “Sem caridade não há salvação!”, “A doutrina ensinada que, uma vez salvo sempre salvo, não é bíblica!”, “A doutrina mais satânica que eu já ouvi, é esta de que a salvação não se perde!”, “Eu sei que estou salvo, mas se eu pecar vou para o inferno!”, “É claro que o crente pode perder a salvação, pois está escrito. "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida.", “Prá ser salvo tem que ser fiel até o fim. Eu pelo menos creio assim!”, “O crente não perde a salvação se ele estiver predestinado!”. “O crente que é salvo nunca deixa de ser, pois Deus o sustenta. Se ele cair em pecado, é porque não era salvo!”.

Todos esses são depoimentos de religiosos, pessoas que seguem uma religião ou até mesmo o cristianismo, mas, sem nenhuma convicção do que são e a quem servem.

Os cristãos baseados nas Sagradas Escrituras, sabem que todas as afirmações acima são falsas. Pois a salvação do crente é eterna: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (João 5.24). E é obtida somente através da cruz: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1. 18).


Quando lemos Efésios 2. 1-8, vemos Paulo falar de salvação do pecado e da morte, e ele deixa bem claro que esta obra é efetuada por Deus em Cristo, totalmente pela graça, e não por qualquer obras que tenhamos feito: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2. 1-8).

É por essa razão que o apostolo Paulo, manda os crentes de Éfeso aceitar a salvação como capacete: “Tomai também o capacete da salvação” (Efésios 6.17). Paulo está ensinando a eles a doutrina da salvação como um dom de Deus. E mostrando que ao receber a salvação como vinda de Deus, recebida pela fé, ela funciona como um capacete que protege a cabeça do cristão. A salvação é a proteção divina para o guerreiro cristão.

Nos tempos de Paulo, o capacete usado pelos guerreiros era de couro grosso ou de metal, conforme 1 Samuel 17. 5. Ele servia para proteger a cabeça dos golpes da espada do adversário. 

Portanto, quando Paulo ensina aos efésios a “aceitar”, o verbo grego é “dechomai”, que significa “aceitar, receber”; embora seja possível traduzi-la também como “tomar” o capacete, ele usa essa figura para refletir o ensinamento bíblico de que todo aquele que foi salvo por Deus em Cristo está salvo dos ataques de Satanás, ainda que venha a ser atingido.

Paulo não tem meios termos, para ele o cristão jamais poderá ser destruído ou arrancado das mãos do redentor: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Romanos 8. 35). O capacete da salvação representa o ensinamento bíblico da perseverança final do crente. 

Que melhor certeza do que essa que o próprio Senhor Jesus nos dá: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (João 6:37).