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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As Boas Novas de Coisas Velhas – Parte 4

A primeira vez que escrevi o artigo com este título, no ano passado, mencionei a lei de Lavoisier que diz que "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Uma ideia semelhante já havia sido apresentado antes pelo sábio Salomão, que reinou em Israel de 584 a.C.  a  545 a.C.

Em seu livro Eclesiastes, o sábio faz uma jornada baseada na busca de um sentido para a vida. Onde ele faz uma exposição de forma eloquente sobre o dilema da humanidade. Ele chega a dizer que tudo é ilusão, que tudo que se pode conseguir neste mundo só nos deixará de mãos vazia. Pois nossa frustração provém de nossa fome de comunhão com Deus, o nosso Criador, pois nossa alma anseia por algo que seja eterno. Pois Deus colocou a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3. 11).


Mas enquanto o homem não se aproxima de Deus, ele passa por esta vida vendo e ouvindo, pois e “seus olhos não se cansam de ver, e nem seus ouvidos se cansam de ouvir” (Eclesiastes 1. 8), mas tudo isso só o leva a um grande cansaço.

Observando a vida, Salomão percebeu que: “A história não passa de uma mera repetição de fatos. Não há nada que seja verdadeiramente novo; já tudo foi feito ou dito anteriormente” (Eclesiastes 1. 9).

Portanto aquilo que observamos dentro da espiritualidade brasileira não tem nada de novo. São coisas que já foram vividas no passado e que estão aparecendo novamente, ou ficaram fora de foco por algum tempo e estão novamente voltando ao foco.

Outras coisas, no entanto, se tornaram cultura nacional. Tudo aquilo que vira uma linguagem, uma expressão, ou se transforma em piada, se transforma em cultura. Exemplo disso são as expressões utilizadas tanto por aqueles que estão dentro de uma igreja, como por quem não pertence a nenhum grupo religioso, por exemplo: “Tá amarrado”, “O sangue de Jesus tem poder”, “Vai na paz”. São coisas que foram absorvidas pela sociedade e hoje fazem parte da cultura. A questão é que o que foi absorvido por essa alma nacional foi o pior que as igrejas evangélicas podiam mostrar. Foi somente a igreja caricaturarizada que alcançou de forma generalizada a alma do brasileiro.


O pior disso tudo é que, existem seres espirituais, que se alimentam daquilo que nossos pensamentos, emoções e sentimentos fornecem, além das ações humanas, com suas insinuações, desejos e propostas, e que se aproveitam de todas essas energias e as elaboram de forma piorada e diabólica e as devolvem sobre nós, de forma que nos tornamos escravos da nossa própria produção devolvida e piorada. Pois os fatores emocionais tem efeito cumulativo, ou seja, aumenta em intensidade.

Cada vez mais observamos crentes que são prisioneiros dos sentidos. Crentes que se não houver qualquer tipo de histerismo ou euforismo, para eles, Deus não se faz presente. O que importa é se sentir feliz. Se for pela bondade, pelo que é certo, pela razão não serve.

Na sua denominação não há espaço para o profeta Jeremias, homem que se apresenta conforme a Bíblia, deprimido, melancólico e introvertido. 

Para esse tipo de espiritualidade não existe milagre progressivo, tudo tem de acontecer de supetão. São portadores de um tipo de fé histérica em que é preciso cair e gritar.

Leia também:
As Boas Novas de Coisas Velhas – Parte 1.
As Boas Novas de Coisas Velhas – Parte 5.
As Boas Novas de Coisas Velhas – Parte 6.