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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Providência de Deus - Continuação


O segundo elemento que faz parte da Providência de Deus é o seu Governo. Governo significa aqui o controle de Deus sobre todas as coisas. E este governo é sábio, santo e poderoso.

Cremos que Deus criou o mundo, então concluímos que Ele também o governa.
Existe no homem um senso de responsabilidade de dependência, que nos tempos de perigo o leva apelar imediatamente a Deus. Portanto existe uma convicção universal e inata de que Deus governa o mundo.

As Escrituras mostram que Deus exerce o seu governo sobre a natureza física. Em Salmos encontramos: “Faz crescer a erva para os animais” (salmos 104. 14). Diz também que: “Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros” (Salmos 134. 7). No livro de Atos o autor escreve: “Dando-vos chuva e tempos frutíferos” (Atos 14. 17).
Da mesma forma como controla a natureza física, o governo de Deus está sobre a criação animal. Diz o salmista: “Os leõesinhos bramam, e de Deus buscam o seu sustento” (Salmos 104. 21).
O próprio Jesus ensinando seus discípulos e o povo disse: “Olhai para as aves do céu... vosso Pai celestial as alimenta” (Mateus 6. 26).

Não há nada absolutamente que não esteja no controle de Deus. Até mesmo na história humana Deus está no controle. O profeta Daniel escreveu: “Ele muda os tempos e as horas; Ele remove os reis e estabelece os reis” (Daniel 2. 21).
Mas não é somente coletivamente que Deus governa, Ele controla também a vida individual do ser humano. No livro de 1 Samuel encontramos o seguinte registro: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” (! Samuel 2. 6). E o sábio Salomão entendeu que: “O coração do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Provérbios 16. 9).

Nada foge ao controle de Deus. Não há necessidade de Ele ter pressa. Pois até nos chamados acontecimentos fortuitos Deus está no controle. No livro de Jó encontramos o seguinte: “Do pó não procede a aflição, nem da terra brota o trabalho” (Jó 5. 6).
Nas menores particularidades Deus está no controle: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mateus 10. 30).
Nas ações livres do homem Deus está no controle: “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2. 13).

E para o espanto de muitos e a negação de outros, até mesmo nos atos pecaminosos dos homens Deus está no controle. Veja o que diz o salmista: “Até a ira humana aumenta o louvor que é dado a Ti; e aqueles que não morreram nas guerras vão comemorar as Tuas festas” (Salmos 76. 10 – BLH).
O apóstolo Paulo, que entendeu profundamente os mistérios de Deus, escreveu aos romanos: “Pois Deus fez com que todos se tornassem prisioneiros da desobediência a fim de mostrar misericórdia a todos” (Romanos 11. 32 – BLH).
E até mesmo Herodes, Pilatos, os gentios e Israel se juntaram “para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (Atos 4. 27 e 28).
 
 Então surge a pergunta: Até onde vai o ato de Deus e até onde vai o ato do homem?
Não é certo pensar que a ação de Deus vai até certo ponto e daí por diante entra a ação do homem. Não existe esta linha divisória. Nem tão pouco é uma ação conjunta.

A ação de Deus é na alma do homem, induzindo-o. Deus inicia e move o homem, de modo a levá-lo a exercer suas atividades de uma maneira apropriada e boa. Mas quando o homem age de uma maneira má, Deus mantém a sua existência, e isso pode ser um gesto de misericórdia.