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Espiritualidade E Psicanálise: Como Funciona O Diálogo Entre A Fé E O Cuidado Da Mente?

  Você já ouviu alguém dizer que "fé e psicanálise não se misturam" — como se fossem dois mundos irreconciliáveis? Essa ideia, tão repetida em círculos religiosos e acadêmicos, carrega uma simplificação perigosa. Freud, é verdade, tratou a religião com desconfiança — chegou a chamá-la de "neurose obsessiva universal" e "ilusão". Todavia, reduzir toda a psicanálise à visão pessoal de seu fundador sobre religião é ignorar décadas de desenvolvimento teórico posterior, além de desconsiderar o próprio potencial diagnóstico que a psicanálise oferece para compreender — e até purificar — nossa vivência espiritual. Primeiramente, precisamos separar dois planos distintos: a psicanálise como método de escuta do inconsciente é uma ferramenta; as convicções pessoais de Freud sobre religião são uma opinião filosófica, passível de crítica e revisão. Um cristão reformado pode, com discernimento, aproveitar o instrumento sem endossar a filosofia antirreligiosa de seu criad...

Uma Visão Realista da Vida

“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”

A tendência à espiritualização das coisas, muitas vezes nos afasta da realidade que a vida nos apresenta. Resultado disso é cristãos fracos, indecisos, na incerteza se Deus está ou não ao lado deles.
Um exemplo disso é se eu perguntasse hoje para um cristão qual a maior dificuldade que ele está enfrentando, muitos diriam para mim: “Está tudo bem, com Cristo no barco tudo vai muito bem”. Ou por outro lado, seria aquele que diz: "Tô na luta irmão, é muita provação. Ore por mim".
Mas ao olhar para a vida com uma visão mais realista, veremos que os cristãos também têm dificuldades, tanto quanto aqueles que não são cristãos.
No entanto, Deus deixou escrito em sua Palavra, que existem coisas que os cristãos devem observar para que não sejamos motivo de tropeço para aqueles que são fracos na fé.
No texto de Hebreus 12 encontramos duas exortações:
A primeira mostra que devemos buscar viver em paz. Eu bem sei que muitas vezes isso é difícil, pois existem pessoas de personalidades e temperamentos difíceis de suportar. Mas o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12. 18). Muitas vezes as dificuldades que sobrevém sobre nossa vida é resultado de uma vivencia sem paz. Onde não somos capazes de nos humilhar, e deixamos a arrogância falar mais forte em certos momentos, principalmente naqueles em que a melhor coisa a ser feito é se calar.
A segundo coisa que o autor de Aos Hebreus nos mostra é que há uma necessidade de nos separar.
O mesmo nos ensina o Salmo 1: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará. Não são assim os ímpios, mas são semelhantes à moinha que o vento espalha. Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos; porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz à ruína”.
Várias vezes estamos em dificuldades porque começamos a agir e a nos envolver com pessoas que não amam, não respeitam e ignoram a Deus.
No Antigo Testamento, encontramos um homem levando para o povo uma mensagem de Deus: “Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós” (Josué 3. 5).
Além de buscar viver em paz e nos separarmos, aprendemos que é preciso crer nas promessas divinas para o seu povo em todos os tempos e nos firmarmos em seus valores.

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