Páginas

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Cristianismo e o Ciúme – Parte 3

os, William Shakespeare tratou da “doença da suspeita”, ou seja, o ciúme. Em um encontro sobre psicanálise realizado em 2010, foi mostrado que o ciúme inconsciente, um sentimento ignorado pela psicologia, pode levar o casal a brigas e desavenças sem saber o motivo.

Ninguém nega que o ciúme é um sentimento desconfortável que surge ao ser repartido com um terceiro o amor da pessoa amada. É natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém pode reduzir o espaço afetivo que ocupamos na vida do parceiro. No entanto, o ciúme extrapola as fronteiras do saudável quando se torna uma preocupação constante e infundada, associada a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes, motivados pela ansiedade de tirar a limpo a infidelidade do parceiro.

Em um texto de Freud, de 1922, ele escreveu: “O ciúme é um daqueles estados emocionais, como o luto, que podem ser descritos como normais. Se alguém parece não possuí-lo, justifica-se a inferência de que ele experimentou severa repressão e, consequentemente, desempenha um papel ainda maior em sua vida mental inconsciente”.

Pois é, o ciúme é assim, deixa a pessoa cega. E uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima.


Então o que dizer quando o ciúme ataca uma pessoa cristã?

No capitulo 13 de 1 Coríntios, o apóstolo Paulo fala aos crentes daquela cidade o seguinte: “Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso” (1 Coríntios 13. 4 – BLH).

Nesta parte em especial, Paulo fala das características importantes do amor. Antes ele vinha falando da superioridade do amor, como fruto do Espírito, em relação aos outros dons. Pois perante o tribunal de Cristo, todos os outros bons serão considerados como madeira, feno e palha (1 Coríntios 3.12-15).

Ao falar das características, Paulo diz que o amor é sofredor, ou seja, ele está pronto para tolerar pessoas de quem é fácil desistir. Ele diz também que o amor é bondoso. Isso significa que quem ama sabe tratar bem as pessoas que lhe fazem o mal. E por aí vai.

Mas Paulo chega a um ponto que é o nosso tema aqui. Ele diz: “O amor sempre protege, sempre confia, sempre tem esperança, sempre preserva” (1 Coríntios 13.4 – Tradução livre).

É natural que quem ama queira zelar pela pessoa que ama ou pelo seu objeto de amor. Zelar é uma palavra que veio do grego “Zélos”, está relacionada a uma grande energia ou entusiasmo em defender uma causa ou objetivo. No dia a dia, seu uso no português virou sinônimo de cuidar, de ter afeição com algo, de agir com interesse e em proteger. Este algo não se refere somente a pessoas, como também pode significar um objeto ou alguma ação de uma pessoa. E é natural sentir ciúme quando vemos o objeto de nossa afeição ter de ser repartido com outro alguém.

Todavia, Paulo está dizendo que “quem ama não é ciumento”, “não arde em ciúme”, “não suspeita mal”. Pois quando amamos uma pessoa, não imaginamos nada de mal da parte dela, pelo menos de imediato. É uma situação diferente daquela que já falamos aqui. Pois quem ama não pensa em fazer um registro, ou relatório, das maldades que nos são feitas.


Mark W. Baker em seu livro “Como Deus Cura A Dor“, diz que “o amor romântico cria uma sensação especial entre os amantes, gerando pensamentos constantes do outro, esperança, incerteza e mistério. Quase sempre é uma paixão absorvente que libera hormônios programados para criar excitação”, mas, “Infelizmente o encantamento exaltado acaba”.

Mas voltemos nossa atenção para um detalhe importante, o amor não é apenas um sentimento, ele não está apenas no campo das ideias. E sim uma ação consciente em direção à pessoa que se ama. Por isso Paulo diz que o amor é paciente. Pois o amor tem uma infinita capacidade para suportar. Não perde o domínio depressa, mas suporta pacientemente.

Para terminar o sentido de ciúme neste texto, tem mais a ver com o sentimento de se aborrecer com o sucesso do outro, ou seja, de ter inveja, de cobiçar. Mas lembremos de que “o amor não busca seus próprios interesses” e que “não se conduz inconvenientemente”. Portanto o amor está sempre pronto para pensar o melhor das pessoas, e não lhes imputa o mal (1 coríntios 13.5).


Leia também: